sábado, 25 de fevereiro de 2012

Sonhando só por sonhar...

Sonhando só por sonhar...
por Claudio Limenzo

Do alto da amurada
Sinto a vida quase parada
Por trás das verdes colinas
O sol por lá já declina
Tingindo em tom dourado
O céu antes azulado
No quebra-mar enrocado
O mar antes agitado
Agora... ao sol se pôr
Não bate com tanto vigor
Gaivotas em revoada
Se abrigam alvoroçadas
Ao suave ritmo do vento
Ilumina-se o firmamento
Anoitece rapidamente
Mas, a tudo indiferente 
A rotina inclemente
Rija se faz premente
E num quê de eufemismo

Verga-se o romantismo
Com a noite avançando
Luzes vão se apagando
Naquela ilha esquecida
Tênues sinais de vida
Aos poucos se esvaziam
E depois de um árduo dia
De trabalho ininterrupto
Sonoro mas, abrupto
Soa de silêncio um toque
Dormem todos...
Dorme a Escola...
Mergulhando noite afora

Pois límpida e estrondosa
Aproxima-se a alvorada
Amanhece um novo dia
Que de novo não tem nada
A não ser novas esperanças
Mais que tudo, nova data
E quando este dia findar
Esperando a noite voltar
Solitário vou estar lá
Contemplando o horizonte
Com o sol atrás dos montes
Sonhando só por sonhar...
Do alto daquela amurada

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Um Amor de Carnaval

Um Amor de Carnaval
por Claudio Limenzo

Em meio a tanta alegria
Num clima de fantasia
Envolvimento casual
Um amor de carnaval

Desde já uma certeza
Ninguém curtirá tristeza
Sem apresentações
Dispensa confissões
Não é amor de verdade
Nem mesmo deixa saudade
É só um lance temporal
Apenas apelo carnal
Chega como de improviso
Cercado de muito riso
Quase tudo é mistério
Porém, nada é sério
Embalado na folia
Embevecido pela euforia
Vai avançando com pressa
E sem qualquer promessa
Pois não há tempo a perder
Urge viver o prazer
Experimentar a emoção
De se desprover da razão
Mergulhar na aventura
Se entregar à loucura
Se doar sem haver nisso
Nada de compromisso
Pois tudo vai se acabar
Quando quarta-feira chegar
E chegará ao final
Um lance experimental
Que logo será esquecido
Sem sequer ter doido
Sem clima, sem despedida
Cada qual segue sua vida
Sem endereço e sem nome
Sem email e sem telefone
Mas... pra que isso afinal
Aconteceu... foi legal
Foi mesmo sensacional
Mas, foi só um amor de carnaval

sábado, 11 de fevereiro de 2012

De forma incerta...

De forma incerta...
por Claudio Limenzo


O sol já vai no poente
É ainda início de outono
Numa tarde triste e quente
Entregue ao abandono
Aquele ser indolente
Espera em vão pelo sono

Fim, enfim de um dia
Que prometia ser especial
Promessa...sim, existia
Mas, não... não era real
De volta à vida vazia
É o que lhe resta afinal

Chega o silêncio da noite
Com ele a dura verdade
Tal como fosse um açoite
Fustiga-o sem piedade
E, ainda que se amoite
Tortura-o a realidade

Insone pela madrugada
Sem trégua pra descansar
Sua sorte malfadada
Não lhe permite sonhar
Anseia pela alvorada
Por um novo dia raiar

Talvez ao amanhecer
E o sol voltar a brilhar
Possa então adormecer
E, antes de despertar
Em seu sonho antever
Da esperança, o despontar

Enfim, o dia desperta
Gorjeia a passarada
A vida de novo em alerta
Exceto a inanimada
Figura de forma incerta
Daquele ser na calçada

 

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Por que amor é imortal...

Por que amor é imortal...
por Claudio Limenzo


O amor não dói
Também não destrói
O amor... só constrói
O amor não regride
Tampouco agride
Por que amor não machuca
O que machuca são as ilusões
O faz de conta de amar
A rixa de egos nas relações
O amor não fere
Em nada interfere
E de tudo difere
Por que  amor é brilho
Luz que emana dos corações
O amor não engana
Quem se engana, somos nós
O amor não chega
E nem vai embora
Por que não está fora
Mas dentro de nós
O amor não exige parceria
Nem  mesmo companhia
É possível amar
Mesmo estando a sós
O amor não abandona
Nem sequer questiona
Adormece mas não desvanece
Jamais se atenua
E nunca perece
Alegre ou triste
O amor continua
Luta... persiste
O amor não se vai
Assim como... não trai
Não usa artifício
O amor tem início
Mas não tem final
Por que amor é imortal...