sábado, 31 de março de 2012

Saudade de casa...

Saudade de casa...
por Claudio Limenzo

O raiar do sol anuncia
O amanhecer do novo dia
A bruma da madrugada
Se mescla com a alvorada

Pelo través suave brisa
As águas mansas alisa
Avultam-se no horizonte
Cimos de verdes montes

Golfinhos em alarido
Pululam junto ao costado
Pela ferrugem corroído
E pelas vagas fustigado

Após  longa travessia
Uma alegria incontida
Ao aproar para a barra
Do porto de partida

Depois da beleza do céu
Da profundeza do mar
Maior para o marinheiro
É a emoção de voltar

Seja voltar para casa
Seja voltar para o mar
Se a casa é o seu lar
O mar é a sua casa

sábado, 24 de março de 2012

O vento não sabe ler.

O vento não sabe ler  
por Claudio Limenzo

É novamente Outono
O sol já se distancia
Crescem as noites
Encolhem os dias

Leve brisa da manhã
A natureza acaricia
Lá na praça a ramaria
Amarelece dia a dia

Pássaros vão e voltam
A voar por entre folhas
Que  planam pelo ar
Lentamente até pousar

Num gracioso bailar
De leveza singular
Derramam pelo chão
As cores da estação

Ao som improvisado
Do ritmo crepitante
De folhas secas caídas 
Pisadas pelos passantes

A despeito do aviso
Não passe pela grama
O vento lá esparrama
A folharada sem fim

Ao entardecer
Não se vê mais o jardim
É perdoável por que
O vento não sabe ler

sábado, 17 de março de 2012

O Grito

O grito
por Claudio Limenzo 

O grito que se funde
À dor que se confunde
É a esperança fugidia
Da vida que se esvazia

O grito já se propaga
E a dor não se apaga
Na esperança o clamor
De uma vida em estertor

O grito continua
Ecoando pela rua
Àquela hora deserta
Noite de lua encoberta

O grito contundente
Daquele ser vivente
Em busca de um abrigo
Que o livre do perigo

O grito ainda persiste
Lamuriento e triste
Esperança vã e trôpega
Daquela vida sôfrega

O grito oprimido
Sufocado... esbaforido
Ainda luta pela vida
Agora... indefinida

O grito se enfraquece
A esperança esmorece
Não há como fugir
Do impiedoso porvir

O grito é quase murmúrio
Vitima do mundo espúrio
Já a beira do precipício
Inevitável é seu suplício

O grito então se cala
Seu último suspiro exala
A viver sem um por que
Preferível, então... morrer!

quarta-feira, 7 de março de 2012

Mulher!

Mulher!
por Claudio Limenzo

Considerada sexo frágil
Casada se tornava consorte
Desafiada, revelou-se ágil 
Em mostrar seu lado forte

Verdade é que o ser feminino
Foi à luta com destemor
Tomou nas mãos seu destino
Demonstrou seu valor

Num mundo competitivo
Entrou sem pedir licença
E mesmo sem incentivo
Soube fazer a diferença

Mudou então sua imagem
Com admirável obstinação
Agora simboliza coragem
Batalha... tem profissão

Com bravura invulgar
Em defesa do seu ideal
Jamais esmoreceu em lutar
Pelo direito de ser igual

Sem uso da força ou do aço
Ela conquistou seu espaço
Não olvidando sequer
Um instante, de ser mulher

sábado, 3 de março de 2012

Confissões

Confissões
por Claudio Limenzo

No frio silêncio da noite
A consciência é um açoite
Conspira o sibilo do vento
Só com meus pensamentos
Medito, reflito o momento
Voltando-me para dentro
Em um encontro de contas
Lado a lado, prós e contras
Busco, já um tanto aflitivo
Ainda que tímido lenitivo
Minh'alma cato à procura
Justa e com toda lisura
O que de melhor eu possuo
Só? Não pode ser, continuo
Me inquieto... quase recuo
Percebo ser muito pouco
Não creio, devo estar louco
Porém, é a dura verdade
Impõe-se a realidade
Dentre parcas qualidades
Sobra-me sinceridade
À revel da contradição
Decido-me pela confissão
Num gesto de contrição
Abro meu coração
Grande é meu ceticismo
Ali... a beira do abismo
Diante um negro buraco
Vendo o quanto fui fraco
Perante tantas fraquezas
Corrói-me triste certeza
Concretiza-se a intuição
De ter errado por opção
Por razões controversas
E por vezes diversas
As vezes por desespero
As vezes por destempero
Umas por incredulidade
Outras por pura vaidade
Algumas por conivência
Outras por conveniência
Aquelas por teimosia
Outras até por picardia
Também por comodismo
Até mesmo por egoismo
De todas elas no entanto
Nenhuma dói-me tanto
Nem me faz tão sofrido
Como aquele escondido
Dentro do peito oprimido
Grande amor não vivido