sábado, 17 de março de 2012

O Grito

O grito
por Claudio Limenzo 

O grito que se funde
À dor que se confunde
É a esperança fugidia
Da vida que se esvazia

O grito já se propaga
E a dor não se apaga
Na esperança o clamor
De uma vida em estertor

O grito continua
Ecoando pela rua
Àquela hora deserta
Noite de lua encoberta

O grito contundente
Daquele ser vivente
Em busca de um abrigo
Que o livre do perigo

O grito ainda persiste
Lamuriento e triste
Esperança vã e trôpega
Daquela vida sôfrega

O grito oprimido
Sufocado... esbaforido
Ainda luta pela vida
Agora... indefinida

O grito se enfraquece
A esperança esmorece
Não há como fugir
Do impiedoso porvir

O grito é quase murmúrio
Vitima do mundo espúrio
Já a beira do precipício
Inevitável é seu suplício

O grito então se cala
Seu último suspiro exala
A viver sem um por que
Preferível, então... morrer!

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