sábado, 3 de março de 2012

Confissões

Confissões
por Claudio Limenzo

No frio silêncio da noite
A consciência é um açoite
Conspira o sibilo do vento
Só com meus pensamentos
Medito, reflito o momento
Voltando-me para dentro
Em um encontro de contas
Lado a lado, prós e contras
Busco, já um tanto aflitivo
Ainda que tímido lenitivo
Minh'alma cato à procura
Justa e com toda lisura
O que de melhor eu possuo
Só? Não pode ser, continuo
Me inquieto... quase recuo
Percebo ser muito pouco
Não creio, devo estar louco
Porém, é a dura verdade
Impõe-se a realidade
Dentre parcas qualidades
Sobra-me sinceridade
À revel da contradição
Decido-me pela confissão
Num gesto de contrição
Abro meu coração
Grande é meu ceticismo
Ali... a beira do abismo
Diante um negro buraco
Vendo o quanto fui fraco
Perante tantas fraquezas
Corrói-me triste certeza
Concretiza-se a intuição
De ter errado por opção
Por razões controversas
E por vezes diversas
As vezes por desespero
As vezes por destempero
Umas por incredulidade
Outras por pura vaidade
Algumas por conivência
Outras por conveniência
Aquelas por teimosia
Outras até por picardia
Também por comodismo
Até mesmo por egoismo
De todas elas no entanto
Nenhuma dói-me tanto
Nem me faz tão sofrido
Como aquele escondido
Dentro do peito oprimido
Grande amor não vivido

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