sábado, 12 de maio de 2012

SER MÃE

SER MÃE
por Claudio Limenzo

Filhos, todos nós somos, é óbvio. Ser filho afinal, é por assim dizer... natural
Mas, Mãe...  não. O Ser Mãe é um ser especial, chega a ser mesmo...  celestial
Mãe, nem sempre é aquela que concebe, todavia sim, a que acolhe, a que recebe
A que recolhe no regaço, que abdica do cansaço, que fica insone... e nem percebe
Mãe não tem sinônimo mas, sem qualquer favor, pode sim, ser definida por Amor
Mas são tantos os amores. Tem o amor perdido...  e tem o amor não correspondido
Tem o amor secreto... tem amor discreto. Tem o amor ardente... tem o amor carente
Tem amor contido...tem amor declarado. Tem amor vivido...tem amor compartilhado
Tem amor primeiro...tem amor passageiro. Tem amor frugal...tem amor de carnaval
Tem o amor ditoso...  tem o amor banal. Tem o amor virtuoso...  tem o amor virtual
Tem amor platônico e tem amor perfeito. Bem maior é amor de Mãe, com efeito
Se o Amor de Mãe é assim insuperável,  haverá outro a ele comparável ?
Existe uma única resposta com que atino: há sim, há o Amor Divino
Sim,  o amor Divino,  que certa vez nos enviou Aquele Menino
Aquele que quando perseguido por um exército empedernido
Pelo  amor de Mãe  foi defendido, abrigado e protegido
Amor de Mãe é sublime, é imperecível e é destemido
Amor de Mãe é com certeza imbatível fortaleza
Seja ela uma rainha, seja ela uma camponesa
Quer seja ela rica...  quer seja ela pobre
O certo,  é que toda Mãe...  é Nobre
Abençoado ser a quem a Criação
No esplendor da Sua grandeza
Em   intangível  inspiração
Atribuiu dotes de pureza
Indulgência e devoção
 E... tanto amor pôs
Em seu coração
Que incontido
Transborda
Se espraia
Por fértil vale
Entre os homens de boa vontade
E reacende a chama da fraternidade
Que aos poucos se esvai no egoismo da humanidade


Relendo e revendo, eu  até me surpreendo
Como, não sendo poeta nem trovador
Ousei dissertar em prosa e verso
Sobre tema tão arrebatador
A força maior do universo
O sublime poder do amor
Viajar por lembranças
Recordar esperanças
Deixar aflorar no adulto
Inocente argúcia de criança
Foi para mim algo emocionante
Foi bem mais, foi mesmo fascinante
Incursionar numa inenarrável odisséia
Ao prestar singela mas sincera homenagem
À minhas amadas MÃES, Antonia e Clinéa

sábado, 28 de abril de 2012

Olhos de Mel


Olhos de Mel
por Claudio Limenzo 


Olhos de mel 
Gotas do céu 
Raios de luar  
Nas águas amenas  
Dos mares serenos  
Eu navegante  
Na luz das estrelas
Encontro teu olhar  
Cristal cintilante  
Me deixo sonhar  


Olhos de mel  
Gotas do céu 
Avidez feminina  
Atrai e fascina  
Faz apaixonar  
Inspira a paz 
Exala a calma 
Que abriga na alma 
O rosto ilumina  
Um cândido olhar 


Olhos de mel  
Gotas do céu  
Promessa de vida  
Paixão reprimida 
Tortura e acalenta 
Em meio a tormenta  
A tênue lembrança  
Do teu amor criança  
Desperta a saudade 
Traz-me à realidade  


Olhos de mel 
Gotas do céu 
A dor me avassala  
Em meu  peito se cala 
Tua doce poesia
Ofusca a agonia  
Conduz à bonança
E... sem vã esperança
Me guia no escuro
A um porto seguro

sábado, 21 de abril de 2012

Dilema

Dilema
por Claudio Limenzo

Atroz e triste problema
Aflige a humanidade
Num frequente dilema
Entre mentira e verdade
Uma dúvida persistente
O que é preferível afinal
Uma mentira clemente
Ou uma verdade fatal
Em contenda interior
Debate-se o ser humano
Sob um grande temor
Que o seduza o engano
Ante as tramas da vida
Quando é difícil decidir
Nem sempre a escolhida
É preferível a se omitir
Se a verdade temerária
É sofrimento evitável
A mentira humanitária
É piedade elogiável
Uma mentira lenitiva
Por vezes é inocente
Uma verdade permissiva
Quase sempre é leniente
Praticar-se a verdade
É dom de credibilidade
Mas mentir-se à esmo
É denegrir a si mesmo
Porque mentir afinal
Se de nada valerá
Pois no momento final
A verdade prevalecerá

sábado, 14 de abril de 2012

Obrigado Senhor!

Obrigado Senhor!
por Claudio Limenzo

Aos primeiros raios de luz
O sono ainda me seduz
Insisto em não acordar
Inútil, não consigo evitar 

Uma efêmera sinfonia
O amanhecer anuncia
Pela janela adentra o sol
Risca em prata o lençol

Tênue assobio do vento
Pela avenida arborizada
Em uníssona melodia
Saúda o novo dia

Longínquo ruído da rua
Aos poucos se insinua
Crescente burburinho
Do canto de passarinhos

Parece tudo conspira
Para o meu despertar
Abro os olhos, suspiro
E me ponho a pensar

Na emoção que é viver
Ver o dia amanhecendo
Na magia que é poder
Ver a vida acontecendo

Diante de tanta beleza
O milagre da natureza
Não contenho o clamor
Obrigado Senhor!

sábado, 7 de abril de 2012

Maria

Maria
por Claudio Limenzo

Ela, tão bela, quem seria
Tal qual luz do dia
Sua doce beleza irradia
Exuberante alegria
Duma primavera tardia

Num passear displicente
Prazenteiro, silente
Talvez até inconsciente
Insinua sutilmente
Sorri, mexe com a gente

Na graça do caminhar
No brilho do olhar
Na meiguice invulgar
No sorrir, no falar
Tudo nela,  faz sonhar

E, sonhar simplesmente
Com ela sorridente
Seria, sim, um presente
A inocente semente
Para um desejo latente

Chamar seu nome, seria
O auge da fantasia
Lá, onde tudo principia
Facilitaria a poesia
Toda mulher fosse Maria

sábado, 31 de março de 2012

Saudade de casa...

Saudade de casa...
por Claudio Limenzo

O raiar do sol anuncia
O amanhecer do novo dia
A bruma da madrugada
Se mescla com a alvorada

Pelo través suave brisa
As águas mansas alisa
Avultam-se no horizonte
Cimos de verdes montes

Golfinhos em alarido
Pululam junto ao costado
Pela ferrugem corroído
E pelas vagas fustigado

Após  longa travessia
Uma alegria incontida
Ao aproar para a barra
Do porto de partida

Depois da beleza do céu
Da profundeza do mar
Maior para o marinheiro
É a emoção de voltar

Seja voltar para casa
Seja voltar para o mar
Se a casa é o seu lar
O mar é a sua casa

sábado, 24 de março de 2012

O vento não sabe ler.

O vento não sabe ler  
por Claudio Limenzo

É novamente Outono
O sol já se distancia
Crescem as noites
Encolhem os dias

Leve brisa da manhã
A natureza acaricia
Lá na praça a ramaria
Amarelece dia a dia

Pássaros vão e voltam
A voar por entre folhas
Que  planam pelo ar
Lentamente até pousar

Num gracioso bailar
De leveza singular
Derramam pelo chão
As cores da estação

Ao som improvisado
Do ritmo crepitante
De folhas secas caídas 
Pisadas pelos passantes

A despeito do aviso
Não passe pela grama
O vento lá esparrama
A folharada sem fim

Ao entardecer
Não se vê mais o jardim
É perdoável por que
O vento não sabe ler

sábado, 17 de março de 2012

O Grito

O grito
por Claudio Limenzo 

O grito que se funde
À dor que se confunde
É a esperança fugidia
Da vida que se esvazia

O grito já se propaga
E a dor não se apaga
Na esperança o clamor
De uma vida em estertor

O grito continua
Ecoando pela rua
Àquela hora deserta
Noite de lua encoberta

O grito contundente
Daquele ser vivente
Em busca de um abrigo
Que o livre do perigo

O grito ainda persiste
Lamuriento e triste
Esperança vã e trôpega
Daquela vida sôfrega

O grito oprimido
Sufocado... esbaforido
Ainda luta pela vida
Agora... indefinida

O grito se enfraquece
A esperança esmorece
Não há como fugir
Do impiedoso porvir

O grito é quase murmúrio
Vitima do mundo espúrio
Já a beira do precipício
Inevitável é seu suplício

O grito então se cala
Seu último suspiro exala
A viver sem um por que
Preferível, então... morrer!

quarta-feira, 7 de março de 2012

Mulher!

Mulher!
por Claudio Limenzo

Considerada sexo frágil
Casada se tornava consorte
Desafiada, revelou-se ágil 
Em mostrar seu lado forte

Verdade é que o ser feminino
Foi à luta com destemor
Tomou nas mãos seu destino
Demonstrou seu valor

Num mundo competitivo
Entrou sem pedir licença
E mesmo sem incentivo
Soube fazer a diferença

Mudou então sua imagem
Com admirável obstinação
Agora simboliza coragem
Batalha... tem profissão

Com bravura invulgar
Em defesa do seu ideal
Jamais esmoreceu em lutar
Pelo direito de ser igual

Sem uso da força ou do aço
Ela conquistou seu espaço
Não olvidando sequer
Um instante, de ser mulher

sábado, 3 de março de 2012

Confissões

Confissões
por Claudio Limenzo

No frio silêncio da noite
A consciência é um açoite
Conspira o sibilo do vento
Só com meus pensamentos
Medito, reflito o momento
Voltando-me para dentro
Em um encontro de contas
Lado a lado, prós e contras
Busco, já um tanto aflitivo
Ainda que tímido lenitivo
Minh'alma cato à procura
Justa e com toda lisura
O que de melhor eu possuo
Só? Não pode ser, continuo
Me inquieto... quase recuo
Percebo ser muito pouco
Não creio, devo estar louco
Porém, é a dura verdade
Impõe-se a realidade
Dentre parcas qualidades
Sobra-me sinceridade
À revel da contradição
Decido-me pela confissão
Num gesto de contrição
Abro meu coração
Grande é meu ceticismo
Ali... a beira do abismo
Diante um negro buraco
Vendo o quanto fui fraco
Perante tantas fraquezas
Corrói-me triste certeza
Concretiza-se a intuição
De ter errado por opção
Por razões controversas
E por vezes diversas
As vezes por desespero
As vezes por destempero
Umas por incredulidade
Outras por pura vaidade
Algumas por conivência
Outras por conveniência
Aquelas por teimosia
Outras até por picardia
Também por comodismo
Até mesmo por egoismo
De todas elas no entanto
Nenhuma dói-me tanto
Nem me faz tão sofrido
Como aquele escondido
Dentro do peito oprimido
Grande amor não vivido